A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) alerta médicos do trabalho e gestores de empresas: testar funcionários para alergia a ferroadas de abelhas, vespas e formigas (os himenópteros) sem que eles nunca tenham tido uma reação alérgica grave, é ineficaz e ainda pode causar mais problemas do que soluções.
A ideia de fazer um “exame de sangue para alergia” (IgE específica) ou testes na pele em massa pode parecer boa para prevenir acidentes, mas não é verdade.
Imagine que o teste de alergia dê positivo, mas a pessoa nunca sentiu nada com uma ferroada. Isso pode gerar um alarme falso. O exame mostra apenas uma ‘sensibilização’, ou seja, o corpo reagiu, mas isso não significa que a pessoa terá uma alergia grave de verdade.
Os testes positivos em pessoas que nunca tiveram uma reação clínica podem levar a ações desnecessárias no ambiente de trabalho como:
– Afastamentos injustificados: Pessoas sendo tiradas do trabalho sem necessidade real.
– Custos desnecessários: Gastos com exames e procedimentos que não trarão benefício.
– Confusão e pânico: Tanto para o trabalhador quanto para a empresa, criando uma falsa sensação de perigo ou segurança.
E o contrário também pode acontecer: o teste dar negativo e a pessoa achar que nunca terá uma reação alérgica grave, colocando a vida do trabalhador em risco.
Por isso, a ASBAI reforça que o diagnóstico de alergia a ferroada de abelhas, vespas e formigas deve ser feito com base na história clínica da pessoa. Ou seja, o que ela sentiu depois de uma ferroada é o que realmente conta para se chegar ao diagnóstico. Os exames servem para confirmar essa suspeita, e não para ‘adivinhar’ quem terá ou não alergia.
Para um manejo eficiente e seguro, a ASBAI sugere que alergistas e médicos do trabalho foquem em:
– Atenção aos sintomas: O principal é a pessoa ter tido uma reação séria comprovada após uma ferroada.
– Imunoterapia: A “vacina para alergia” só é indicada para quem já teve uma reação grave e teve a alergia confirmada.
– Adrenalina autoinjetável: Ter a “caneta de adrenalina” disponível e saber como usar é crucial no atendimento de uma pessoa com anafilaxia, a reação mais grave dentro das alergias.
– Educação: Treinar os trabalhadores sobre os riscos, como reconhecer uma reação e o que fazer imediatamente.
Nosso compromisso é com a saúde do trabalhador, baseada no que a ciência de verdade mostra. Por isso, é fundamental que as decisões de saúde ocupacional sejam tomadas com informação correta, protegendo todos, sem criar medos ou gastos desnecessários.