EDITORIAL | Educação Médica: Prioridade para ASBAI e EAACI
Durante o LII Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia, que aconteceu em Goiânia entre os dias 13 e 16 de novembro, tivemos a oportunidade de conversar com o Dr. Ibon Eguiluz, Diretor Científico da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica (EAACI). Na entrevista, ele comenta sobre a parceria com a ASBAI, incluindo a colaboração internacional na educação médica, os desafios futuros da alergia e imunologia diante das mudanças climáticas e suas impressões sobre o congresso brasileiro.
Dr. Ibon Eguiluz, para iniciar nossa conversa, gostaria que o senhor abordasse a parceria entre a ASBAI e a EAACI, especialmente no que se refere à educação médica continuada. Como o senhor avalia a consolidação dessa parceria?
Dr. Ibon Eguiluz – A educação de jovens alergistas e imunologistas é, de fato, uma área de grande interesse e prioridade tanto para a ASBAI quanto para a Academia Europeia. Nesse sentido, tivemos a satisfação de organizar, pela primeira vez no âmbito deste Congresso da ASBAI, a Allergy School, uma iniciativa da EAACI com diversas sociedades, focada em temas de especial interesse para residentes e recém-formados.
O Allergy School foi extremamente satisfatório. Contamos com a participação de 40 pessoas, que tiveram acesso a aulas didáticas e muitos casos clínicos. Já havíamos implementado escolas semelhantes com a sociedade coreana, em Hong Kong, mas esta é a primeira vez que realizamos na América. Estamos muito contentes com a experiência e acredito que precisamos continuar investindo nessas oportunidades educativas para os residentes.
Aproveito para encorajar todos os jovens membros da ASBAI, com menos de 40 anos, a se tornarem membros juniores da EAACI. É um programa totalmente gratuito que oferece inúmeras oportunidades educacionais, incluindo a possibilidade de concorrer a bolsas para estágios ou residências no exterior, no país de sua escolha, o que pode ser muito benéfico para a formação do especialista.
Na sua opinião, quais são os maiores desafios que o senhor identifica na área de Alergia e Imunologia daqui para frente, especialmente considerando os impactos que o meio ambiente pode causar nas doenças imunoalérgicas?
Dr. Ibon Eguiluz – Podemos categorizar os desafios da nossa especialidade em diversas frentes. Primeiramente, é evidente a necessidade de mais especialistas em alergia e imunologia. Na maioria dos países onde a especialidade é reconhecida, há uma carência de médicos. Além disso, em alguns países, a especialidade ainda não é oficialmente reconhecida, o que impacta negativamente o tratamento dos pacientes, que muitas vezes são atendidos por profissionais sem o grau de especialização adequado. Há, portanto, questões ligadas à formação e à disponibilidade de especialistas.
Outro desafio importante é a situação dos produtos de imunoterapia alérgica, um dos pilares da nossa especialidade, cuja disponibilidade tem diminuído.
Paralelamente, observamos uma expansão significativa de doenças relacionadas às mudanças climáticas e ao aquecimento global. Isso é perceptível em todos os países e continentes: há um aumento nos casos de alergia respiratória, doenças cutâneas como a dermatite atópica e alergias alimentares. Enfrentamos um crescimento exponencial das enfermidades alérgicas e imunológicas, fortemente influenciado pelas mudanças climáticas e pela poluição ambiental.
É um trabalho essencial para alergistas e imunologistas não apenas tratar as doenças, mas também atuar na prevenção, por meio de campanhas de conscientização, pois muitos problemas podem ser evitados. Embora esses sejam os desafios, é também um panorama estimulante, pois temos a possibilidade de promover muitas melhorias.
Dr. Eguiluz, qual a sua avaliação sobre o Congresso Brasileiro de Alergia? É sua primeira vez nesse evento?
Dr. Ibon Eguiluz – Foi minha primeira participação no Congresso ASBAI e minha primeira visita ao Brasil. Gostei muito, é um congresso enorme. Dentre todas as sociedades nacionais que organizam congressos de alergia, acredito que poucas, ou quase nenhuma, se comparam em tamanho ao congresso brasileiro.
Com temas vastos, o programa científico foi extremamente extenso. Às vezes, foi difícil escolher para onde ir, pois tinham muitas coisas interessantes acontecendo simultaneamente. Percebo também que a ASBAI está muito bem integrada com as organizações internacionais. Tivemos a presença de colegas da World Allergy Organization (WAO), da Sociedade Latino-Americana de Asma, Alergia e Imunologia (SLAAI) e do Colégio Americano. Em suma, tive uma experiência excelente e espero poder retornar. Achei o congresso fascinante e muito dinâmico, com muitas pessoas e jovens, o que demonstra que é uma sociedade muito ativa.
