Imunobiografia: ferramenta para envelhecer com mais qualidade de vida
Imunobiografia: ferramenta para envelhecer com mais qualidade de vida
Você sabe o que é imunobiografia? E imunossenescência? São duas palavras pouco divulgadas, mas primordiais para entender as fases da vida. A imunobiografia é a história completa de todos os encontros antigênicos e suas consequentes integrações que um indivíduo acumula ao longo da vida. É um processo que se inicia até mesmo antes da concepção, com a saúde dos futuros pais, e está intrinsecamente ligada à saúde da gestante. Estende-se desde a vida intrauterina até a senescência e a morte, culminando em uma “assinatura imunológica” única para cada pessoa, como um CPF imunológico.
A imunossenescência é definida como o processo fisiológico que leva à perda progressiva da reserva funcional do sistema imunológico, comprometendo tanto a imunidade inata quanto a adaptativa. Sua característica mais marcante é o “Inflammaging” – um leve estado pró-inflamatório basal inerente ao envelhecimento. Este fenômeno, embora não necessariamente associado a doenças, reflete uma desregulação e um contínuo remodelamento do sistema imunológico.
A construção da imunobiografia desde a infância exerce uma influência profunda no ritmo e na intensidade da imunossenescência. Embora o inflammaging seja um estado pró-inflamatório basal do envelhecimento, processos inflamatórios estão associados a diversas doenças que afetam todas as faixas etárias, como condições cardiovasculares, autoimunes, osteoporose e sarcopenia.
A imunossenescência, ao comprometer a resposta imunológica, favorece o risco de infecções. No entanto, uma imunobiografia bem construída pode diminuir esses riscos. A aderência a programas vacinais, por exemplo, pode abolir, atenuar ou retardar os efeitos deletérios de inúmeros processos infecciosos. Da mesma forma, doenças frequentes na senescência podem ser prevenidas ou tratadas precocemente através de programas de saúde desde a infância, que incluem educação, alimentação saudável, e atividades físicas e intelectuais.
Microbioma Intestinal – Os hábitos e experiências de vida – a imunobiografia – moldam as defesas do corpo e, neste contexto, a ASBAI destaca duas hipóteses fundamentais:
– Hipótese da Higiene (1989): A exposição a microrganismos e parasitas na primeira infância é crucial para o “treinamento” adequado do sistema imunológico, reduzindo o risco de doenças autoimunes e alérgicas.
– Hipótese da Biodiversidade: A interação entre a microbiota externa e interna enriquece o microbioma humano, promovendo equilíbrio imunológico, tolerância e proteção contra distúrbios inflamatórios e alérgicos.
Diversos fatores influenciam a composição e funcionalidade da microbiota humana, incluindo o tipo de parto, aleitamento materno, dieta, estado nutricional, infecções, uso de antibióticos, alérgenos alimentares, exercícios físicos e localização geográfica.
Imunização – A compreensão da imunobiografia populacional também é estratégica para otimizar campanhas de vacinação, permitindo ajuste de esquemas e cronogramas vacinais para todas as faixas etárias e condições de saúde.
Por meio da imunobiografia é possível indicar e contraindicar vacinas para pacientes com imunodeficiências, imunossuprimidos e idosos, além de doses de reforço diferenciadas. Além disso, é possível fazer análise de condições socioeconômicas, exposição ambiental, perfil nutricional e microbiota para embasar as decisões.
